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Lesões ortopédicas
Ao contrario do que comumente se pensa, o rafting é uma modalidade que exige integridade de articulações, desde a mão ao quadril, cuja finalidade será a transmissão energética da força da remada dos membros superiores ao bote, deslizando-o na água.
Ombro
Estatisticamente, a articulação mais afetada. Serve como fulcro de movimento, suportando torque rotacional da cabeça umeral contra a glenóide, exigindo integridade e harmonia da musculatura da chamada cintura escapular
O conjunto músculo-tendíneo conhecido como manguito rotador “abraça” a cabeça do Úmero como uma mão agarrando uma bola de tennis. Tem a função de estabilizar o Úmero em seu íntimo contato com a glenóide e promover rotacionais. Durante seu funcionamento, em indivíduos com predisposição, pode haver o choque, ou “impacto” desta estrutura contra o prolongamento mais lateral da Escápula (Omoplata),o Acrômio, levando à Síndrome do Impacto . Esta doença, popularmente conhecida como “Bursite”, nada mais é que a tradução de uma tendinopatia degenerativa que, em estágios mais avançados, pode levar à ruptura dos tendões componentes do manguito rotador e, conseqüente perda de função.
No rafting , assim como em outros esportes que exigem movimento contínuo e cíclico das mãos atuando acima do nível dos ombros, o manguito rotador é “jogado” contra o Acrômio durante a remada e, de uma maneira aguda ou crônica, a lesão se desenvolve. A dor pode se iniciar de maneira súbita ou lentamente, transfomando o prazer do esporte em uma tortura. Caracteristicamente, a dor melhora um pouco no inicio da remada e piora a noite. Na sua forma crônica, uma remada reversa, por exemplo, pode desencadear dor severa, fazendo com que o praticante perca o controle do remo.
O tratamento conservador através da fisioterapia e correção de fatores predisponentes, como encurtamento muscular e prevalência de rotadores internos sobre externos tem ótimos resultados. Casos refratários e de dor podem se beneficiar pelo tratamento cirúrgico, principalmente realizado por via artroscópica.
Outro conjunto de lesões recentemente investigadas são as chamadas micro-traumaticas, ou seja, aquelas causadas pelo esforço repetitivo e de evolução silenciosa. Sua manifestação clássica é a chamada “Síndrome do braço morto” (Dead arm syndrom) , na qual, o afrouxamento contínuo da cápsula da articulação do ombro causa instabilidade, ou seja, ocorrem movimentos “anormais” do úmero contra a glenóide, com dor súbita e descrita como lascinante, fazendo com que o braço do atleta caia, perdendo temporariamente sua função. Isto, sem dúvida é extremamente desapontador para o praticante de esportes a remo.
A prevenção é o melhor remédio para as lesões do ombro. A correção de vícios de postura, fortalecimento muscular prévio e o acompanhamento de um instrutor da modalidade são imprecindíveis para um bom desempenho, livre de lesões.
Coluna vertebral
Submetida a forças rotacionais, a coluna vertebral exige integridade de suas estruturas intrínsecas, incluindo discos intervertebrais, ligamentos e vértebras. O movimento rotatório do tronco associado à flexão mantida da coluna lombar submete suas estruturas a forças de cisalhamento que podem resultar em desordens, desde lombalgia-mecanoposturais, (link- lombalgias) a lesões disco-ligamentares.(link-coluna_lesoes) . Felizmente, a primeira forma é a mais comum na pratica clinica. Tipicamente ocorre mais desconforto e contratura muscular que dor. Durante a remada, o praticante nada sente, mas na segunda-feira,é certa a visita ao consultório do ortopedista. lombalgia-mecanoposturais, (link- lombalgias) Na maioria das vezes, correção postural comum da população sendentária e fortalecimento da musculatura lombar e abdominal tratam e previnem sua recorrência.
Músculos
Conforme descrito acima, durante a remada do rafting , ocorre transferência energética dos membros superiores ao tronco, abdômen e, deste ao bote, fazendo-o deslizar. A musculatura do abdômen age de maneira sinérgica à coluna vertebral e, assim como em outras articulações do corpo, contrai-se de maneira excêntrica, absorvendo e transmitindo carga. Este grupo muscular, assim como outros do corpo utilizados neste esporte pode desenvolver lesões que vão desde a acidose lática, acúmulo de acido lático pela musculatura mal condicionada, ao dolorimento muscular tardio, ou seja, dores musculares dias após a pratica esportiva. O esportista pode experimentar uma sensação semelhante a uma costela fraturada e, como a musculatura abdominal faz parte da assessória da respiração, a dor mantém-se constante e seu controle fica difícil, mesmo com o uso de analgésicos potentes.
Outras lesões
Afogamento – Primeiro-socorros
O afogamento é uma das formas mais comuns de asfixia. Pode ocorrer no rafting, assim como em outras modalidades de esportes de água.Os primeiros socorros são idênticos para crianças e adultos. Veja como fazer:
01) Aja com rapidez
Retire o afogado da água o mais depressa possível. Antes de iniciar a respiração artificial, tire a água que o afogado engoliu e que penetrou nas vias respiratórias.
Para tanto, coloque o afogado de bruços, erguendo-lhe a cintura a uns 45 centímetros do chão, de maneira tal que a cabeça fique mais baixa que os pulmões e o estômago.
Sacuda o afogado para que a água saia. Não perca com isso mais que meio minuto.
02) Coloque o afogado na posição correta
Em seguida, prepare o afogado para receber a respiração boca a boca. Vire-o de costas e coloque a cabeça dele em posição adequada: com uma das mãos levante o pescoço e com a outra force a cabeça para trás. Em seguida, com os polegares, abra a boca do afogado e verifique se há algum material obstruindo a passagem do ar: sangue, dentadura, vômito, etc. Retire-o antes de iniciar a respiração.
03) Inicie a respiração boca a boca
Conserve a cabeça da vítima na posição correta, colocando uma das mãos sob o queixo e outra sobre a testa. Com a mão que está sob o queixo, empurre delicadamente o maxilar para trás fazendo com que o pescoço fique esticado e as vias aéreas liberadas. Com os dedos da mão que está sobre a testa, aperte as narinas do afogado para evitar que o ar escape. Ponha sua boca aberta sobre a dele, soprando fortemente até notar a expansão do peito do acidentado.
Afaste, então, sua boca para que haja expulsão do ar e assim se esvazie o pulmão do acidentado. Repita a manobra num ritmo de 15 a 20 vezes por minuto, até que a respiração esteja normalizada. Quando isso ocorrer, coloque o afogado em uma cama aquecida.
Continue a vigiá-lo, pois a qualquer momento poderá cessar novamente a respiração ou ocorrer uma síncope. Ele não deve levantar-se pelo menos por 24 horas.
Queimadura solar
O primeiro formigamento ou rubor é um sinal para abandonar rapidamente a exposição ao sol. As compressas de água corrente gelada podem aliviar as áreas avermelhadas, assim como as loções ou pomadas sem anestésicos ou perfumes que possam irritar ou sensibilizar a pele. Os comprimidos de corticosteróides podem ajudar a aliviar a inflamação e a dor em poucas horas. A pele queimada pelo sol começa a curar espontaneamente em poucos dias, mas a cura completa pode levar semanas. As queimaduras solares nas pernas, sobretudo das canelas, tendem a ser particularmente desconfortáveis e a sua cura é lenta. As áreas da pele raramente expostas à luz solar podem sofrer queimaduras graves por possuírem pouco pigmento. Essas áreas incluem aquelas normalmente cobertas pelas roupas de banho, o dorso do pé e o pulso, o qual é normalmente protegido por um relógio. A pele lesada pelo sol torna-se uma barreira deficiente contra a infecção e, quando esta ocorre, pode retardar a cura. O médico pode determinar a gravidade da infecção e, quando necessário, prescrever antibióticos. Após a pele queimada descascar, as novas camadas expostas ao sol são finas e muito sensíveis à sua radiação. Essas áreas podem permanecer extremamente sensíveis durante várias semanas.
Picada por insetos
“Era uma manhã linda de Domingo. O animado grupo iniciava a descida do rio. A correnteza associada à inexperiência do grupo jogava o bote para a margem do rio, onde galhos de árvore estendiam-se. Com gritos de alegria, um dos integrantes levanta o remo e acidentalmente acerta a caixa de marimbondos que cai no meio do bote.”
Apesar da picada de alguns insetos e aranhas ser muito doloroso e deixar o local da picada com inchaço, sangramento e dor, a maioria delas são auto-resolutivas e não deixam seqüelas. O grande problema está nas pessoas alérgicas ao veneno. O resultado disso é a chamada reação anafilática, que pode levar ao choque, com falência múltipla dos órgãos, se não tratada a tempo. Os sinais de alerta são :
* Inchaço severo de todo o corpo e/ou da face, língua e lábios * Fraqueza, tontura * Dificuldade para respirar ou engolir * Obstrução das vias aéreas ou choque com queda de pressão
Antes de iniciar o rafting, verifique se a equipe possui o kit de emergência que contenha: Adrenalina (medicamento conhecido por epinefrina e que tem a capacidade de abortar as reações corporais desencadeadas por uma picada), além de seringa e agulha para aplicação Um anti-histamínico Um inalador que contenha adrenalina Uma folha de instruções orientando a forma correta de utilização do kit Esse kit deve ser recomendado pelo seu médico. Você deve também portar uma tarjeta de identificação - ALERTA MÉDICO - que informe rapidamente as outras pessoas sobre sua alergia por picada de insetos. Pessoas com antecedente de reações alérgicas a picada de abelhas ou vespas devem pedir orientação médica sobre a necessidade de vacinas antiarlégicas.
Pergunte à equipe sobre os hospitais da região. Se há equipe médica preparada e orientada sobre estas possíveis emergências. 
Dr. Adriano Leonardi CRM/SP 99660 Mestre em Ortopedia e Traumatologia pela Santa Casa de São Paulo. Médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho, traumatologia do esporte e wilderness medicine. Referências bibliográficas• Cohen M.,Abdalla R. LESOES NOS ESPORTES DIAGNOSTICO,PREVENÇAO E TRATAMENTO.Revinter,2002. • Yamamoto N, Itoi E, Minagawa H, Urayama M, Saito H, Seki N, Iwase T, Kashiwaguchi S, Matsuura T. : Why is the humeral retroversion of throwing athletes greater in dominant shoulders than in nondominant shoulders?J Shoulder Elbow Surg. 2006 Sep-Oct;15(5):571-5. • Rumball JS, Lebrun CM, Di Ciacca SR, Orlando K. Rowing injuries.Sports Med. 2005;35(6):537-55. • Fiore FC Injuries associated with whitewater rafting and kayaking. Wilderness Environ Med. 2003 Winter;14(4):255-60. Review. Erratum in: Wilderness Environ Med. 2004 Summer;15(2):112. • O'Hare D, Chalmers D, Arnold NA, Williams F. : Mortality and morbidity in white water rafting in New Zealand . Inj Control Saf Promot. 2002 Sep;9(3):193-8. • Bentley TA, Page SJ, Laird IS. Safety in New Zealand 's adventure tourism industry: the client accident experience of adventure tourism operators. J Travel Med. 2000 Sep-Oct;7(5):239-45. • Whisman SA, Hollenhorst SJ. Injuries in commercial whitewater rafting. Clin J Sport Med. 1999 Jan;9(1):18-23. • Diecker ML. White water rafting. "Incredible!". Revolution. 1994 Spring;4(1):63, 65-6. |