Canoagem

O rafting é a prática de descida em corredeiras em equipe utilizando botes infláveis, equipamentos de segurança. Antes de começar qualquer descida de rafting comercial, um instrutor da atividade passa à todos os participantes detalhadas instruções de conduta relativas à segurança. Estas Instruções são lembradas pelos demais instrutores durante momentos estratégicos da descida, e seu cumprimento é fundamental para a segurança de todos. O rafting comercial proporciona a experiencia de descer o rio para pessoas de qualquer idade e em sua maioria pessoas que nunca tiveram uma experiência anterior, tornando o esporte acessível.

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LESÕES NO RAFTING PDF Imprimir E-mail
Escrito por Adriano Leonardi   
Sex, 30 de Janeiro de 2009 11:25
Lesões ortopédicas

Ao contrario do que comumente se pensa, o rafting é uma modalidade que exige integridade de articulações, desde a mão ao quadril, cuja finalidade será a transmissão energética da força da remada dos membros superiores ao bote, deslizando-o na água.

Ombro

Estatisticamente, a articulação mais afetada. Serve como fulcro de movimento, suportando torque rotacional da cabeça umeral contra a glenóide, exigindo integridade e harmonia da musculatura da chamada cintura escapular

O conjunto músculo-tendíneo conhecido como manguito rotador “abraça” a cabeça do Úmero como uma mão agarrando uma bola de tennis. Tem a função de estabilizar o Úmero em seu íntimo contato com a glenóide e promover rotacionais. Durante seu funcionamento, em indivíduos com predisposição, pode haver o choque, ou “impacto” desta estrutura contra o prolongamento mais lateral da Escápula (Omoplata),o Acrômio, levando à Síndrome do Impacto . Esta doença, popularmente conhecida como “Bursite”, nada mais é que a tradução de uma tendinopatia degenerativa que, em estágios mais avançados, pode levar à ruptura dos tendões componentes do manguito rotador e, conseqüente perda de função.

No rafting , assim como em outros esportes que exigem movimento contínuo e cíclico das mãos atuando acima do nível dos ombros, o manguito rotador é “jogado” contra o Acrômio durante a remada e, de uma maneira aguda ou crônica, a lesão se desenvolve. A dor pode se iniciar de maneira súbita ou lentamente, transfomando o prazer do esporte em uma tortura. Caracteristicamente, a dor melhora um pouco no inicio da remada e piora a noite. Na sua forma crônica, uma remada reversa, por exemplo, pode desencadear dor severa, fazendo com que o praticante perca o controle do remo.

O tratamento conservador através da fisioterapia e correção de fatores predisponentes, como encurtamento muscular e prevalência de rotadores internos sobre externos tem ótimos resultados. Casos refratários e de dor podem se beneficiar pelo tratamento cirúrgico, principalmente realizado por via artroscópica.

Outro conjunto de lesões recentemente investigadas são as chamadas micro-traumaticas, ou seja, aquelas causadas pelo esforço repetitivo e de evolução silenciosa. Sua manifestação clássica é a chamada “Síndrome do braço morto” (Dead arm syndrom) , na qual, o afrouxamento contínuo da cápsula da articulação do ombro causa instabilidade, ou seja, ocorrem movimentos “anormais” do úmero contra a glenóide, com dor súbita e descrita como lascinante, fazendo com que o braço do atleta caia, perdendo temporariamente sua função. Isto, sem dúvida é extremamente desapontador para o praticante de esportes a remo.

A prevenção é o melhor remédio para as lesões do ombro. A correção de vícios de postura, fortalecimento muscular prévio e o acompanhamento de um instrutor da modalidade são imprecindíveis para um bom desempenho, livre de lesões.

Coluna vertebral

Submetida a forças rotacionais, a coluna vertebral exige integridade de suas estruturas intrínsecas, incluindo discos intervertebrais, ligamentos e vértebras. O movimento rotatório do tronco associado à flexão mantida da coluna lombar submete suas estruturas a forças de cisalhamento que podem resultar em desordens, desde lombalgia-mecanoposturais, (link- lombalgias) a lesões disco-ligamentares.(link-coluna_lesoes) . Felizmente, a primeira forma é a mais comum na pratica clinica. Tipicamente ocorre mais desconforto e contratura muscular que dor. Durante a remada, o praticante nada sente, mas na segunda-feira,é certa a visita ao consultório do ortopedista. lombalgia-mecanoposturais, (link- lombalgias) Na maioria das vezes, correção postural comum da população sendentária e fortalecimento da musculatura lombar e abdominal tratam e previnem sua recorrência.

Músculos

Conforme descrito acima, durante a remada do rafting , ocorre transferência energética dos membros superiores ao tronco, abdômen e, deste ao bote, fazendo-o deslizar. A musculatura do abdômen age de maneira sinérgica à coluna vertebral e, assim como em outras articulações do corpo, contrai-se de maneira excêntrica, absorvendo e transmitindo carga. Este grupo muscular, assim como outros do corpo utilizados neste esporte pode desenvolver lesões que vão desde a acidose lática, acúmulo de acido lático pela musculatura mal condicionada, ao dolorimento muscular tardio, ou seja, dores musculares dias após a pratica esportiva. O esportista pode experimentar uma sensação semelhante a uma costela fraturada e, como a musculatura abdominal faz parte da assessória da respiração, a dor mantém-se constante e seu controle fica difícil, mesmo com o uso de analgésicos potentes.

Outras lesões

Afogamento – Primeiro-socorros

O afogamento é uma das formas mais comuns de asfixia. Pode ocorrer no rafting, assim como em outras modalidades de esportes de água.Os primeiros socorros são idênticos para crianças e adultos. Veja como fazer:

01) Aja com rapidez

Retire o afogado da água o mais depressa possível. Antes de iniciar a respiração artificial, tire a água que o afogado engoliu e que penetrou nas vias respiratórias.

Para tanto, coloque o afogado de bruços, erguendo-lhe a cintura a uns 45 centímetros do chão, de maneira tal que a cabeça fique mais baixa que os pulmões e o estômago.

Sacuda o afogado para que a água saia. Não perca com isso mais que meio minuto.

02) Coloque o afogado na posição correta

Em seguida, prepare o afogado para receber a respiração boca a boca. Vire-o de costas e coloque a cabeça dele em posição adequada: com uma das mãos levante o pescoço e com a outra force a cabeça para trás. Em seguida, com os polegares, abra a boca do afogado e verifique se há algum material obstruindo a passagem do ar: sangue, dentadura, vômito, etc. Retire-o antes de iniciar a respiração.

03) Inicie a respiração boca a boca

Conserve a cabeça da vítima na posição correta, colocando uma das mãos sob o queixo e outra sobre a testa. Com a mão que está sob o queixo, empurre delicadamente o maxilar para trás fazendo com que o pescoço fique esticado e as vias aéreas liberadas. Com os dedos da mão que está sobre a testa, aperte as narinas do afogado para evitar que o ar escape. Ponha sua boca aberta sobre a dele, soprando fortemente até notar a expansão do peito do acidentado.

Afaste, então, sua boca para que haja expulsão do ar e assim se esvazie o pulmão do acidentado. Repita a manobra num ritmo de 15 a 20 vezes por minuto, até que a respiração esteja normalizada. Quando isso ocorrer, coloque o afogado em uma cama aquecida.

Continue a vigiá-lo, pois a qualquer momento poderá cessar novamente a respiração ou ocorrer uma síncope. Ele não deve levantar-se pelo menos por 24 horas.

Queimadura solar

O primeiro formigamento ou rubor é um sinal para abandonar rapidamente a exposição ao sol. As compressas de água corrente gelada podem aliviar as áreas avermelhadas, assim como as loções ou pomadas sem anestésicos ou perfumes que possam irritar ou sensibilizar a pele. Os comprimidos de corticosteróides podem ajudar a aliviar a inflamação e a dor em poucas horas. A pele queimada pelo sol começa a curar espontaneamente em poucos dias, mas a cura completa pode levar semanas. As queimaduras solares nas pernas, sobretudo das canelas, tendem a ser particularmente desconfortáveis e a sua cura é lenta. As áreas da pele raramente expostas à luz solar podem sofrer queimaduras graves por possuírem pouco pigmento. Essas áreas incluem aquelas normalmente cobertas pelas roupas de banho, o dorso do pé e o pulso, o qual é normalmente protegido por um relógio. A pele lesada pelo sol torna-se uma barreira deficiente contra a infecção e, quando esta ocorre, pode retardar a cura. O médico pode determinar a gravidade da infecção e, quando necessário, prescrever antibióticos. Após a pele queimada descascar, as novas camadas expostas ao sol são finas e muito sensíveis à sua radiação. Essas áreas podem permanecer extremamente sensíveis durante várias semanas.

Picada por insetos

“Era uma manhã linda de Domingo. O animado grupo iniciava a descida do rio. A correnteza associada à inexperiência do grupo jogava o bote para a margem do rio, onde galhos de árvore estendiam-se. Com gritos de alegria, um dos integrantes levanta o remo e acidentalmente acerta a caixa de marimbondos que cai no meio do bote.”

Apesar da picada de alguns insetos e aranhas ser muito doloroso e deixar o local da picada com inchaço, sangramento e dor, a maioria delas são auto-resolutivas e não deixam seqüelas. O grande problema está nas pessoas alérgicas ao veneno. O resultado disso é a chamada reação anafilática, que pode levar ao choque, com falência múltipla dos órgãos, se não tratada a tempo. Os sinais de alerta são :

    * Inchaço severo de todo o corpo e/ou da face, língua e lábios
    * Fraqueza, tontura
    * Dificuldade para respirar ou engolir
    * Obstrução das vias aéreas ou choque com queda de pressão

Antes de iniciar o rafting, verifique se a equipe possui o kit de emergência que contenha: Adrenalina (medicamento conhecido por epinefrina e que tem a capacidade de abortar as reações corporais desencadeadas por uma picada), além de seringa e agulha para aplicação Um anti-histamínico Um inalador que contenha adrenalina Uma folha de instruções orientando a forma correta de utilização do kit Esse kit deve ser recomendado pelo seu médico. Você deve também portar uma tarjeta de identificação - ALERTA MÉDICO - que informe rapidamente as outras pessoas sobre sua alergia por picada de insetos. Pessoas com antecedente de reações alérgicas a picada de abelhas ou vespas devem pedir orientação médica sobre a necessidade de vacinas antiarlégicas.

Pergunte à equipe sobre os hospitais da região. Se há equipe médica preparada e orientada sobre estas possíveis emergências.

Dr. Adriano Leonardi

CRM/SP 99660

Mestre em Ortopedia e Traumatologia pela Santa Casa de São Paulo.

Médico ortopedista especialista em cirurgia do joelho, traumatologia do esporte e wilderness medicine.



 Referências bibliográficas

•  Cohen M.,Abdalla R. LESOES NOS ESPORTES DIAGNOSTICO,PREVENÇAO E TRATAMENTO.Revinter,2002.

•  Yamamoto N, Itoi E, Minagawa H, Urayama M, Saito H, Seki N, Iwase T, Kashiwaguchi S, Matsuura T. : Why is the humeral retroversion of throwing athletes greater in dominant shoulders than in nondominant shoulders?J Shoulder Elbow Surg. 2006 Sep-Oct;15(5):571-5.

•  Rumball JS, Lebrun CM, Di Ciacca SR, Orlando K. Rowing injuries.Sports Med. 2005;35(6):537-55.

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•  O'Hare D, Chalmers D, Arnold NA, Williams F. : Mortality and morbidity in white water rafting in New Zealand .
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•  Bentley TA, Page SJ, Laird IS. Safety in New Zealand 's adventure tourism industry: the client accident experience of adventure tourism operators.
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•  Diecker ML. White water rafting. "Incredible!".
Revolution. 1994 Spring;4(1):63, 65-6.
Última atualização em Dom, 01 de Agosto de 2010 15:13
 
Sobre o Rafting PDF Imprimir E-mail
Escrito por Editor   
Sex, 30 de Janeiro de 2009 11:13
porJosé Pupo
Diretor da Canoar
www.canoar.com.br








O Rafting consiste na descida de rios em botes infláveis. Os participantes remam conduzidos por um Instrutor, responsável pela orientação do grupo durante o percurso. O esporte é praticado em forma de lazer e competição. A estrutura de lazer está geralmente associada a empresas que oferecem a atividade, fornecendo toda a infra-estrutura necessária aos participantes. Como esporte de competição, as equipes são autônomas, e têm os seus próprios equipamentos. Algumas equipes representam empresas que operam o rafting comercialmente, mas isto não é uma regra.


Como em qualquer esporte de aventura, a segurança dos participantes é a principal fonte de preocupação dos praticantes. Os dois pontos principais para garantir a segurança são os equipamentos utilizados e o conhecimento técnico dos Instrutores.

Os equipamentos de segurança obrigatórios aos participantes de Descida de Rio são colete salva-vidas, capacete e calçado com sola de borracha. Para os rios com muitas pedras e/ou águas muito geladas é recomendado o uso de roupa de neoprene de 3mm. Para o time de descida como um todo, ao menos um kit completo de 1os Socorros, Kit de Resgate e Instrutores equipados com cabo de resgate, polias, apito, faca, mosquetões e flip line.

Os Instrutores precisam ser capacitados, ter conhecimento técnico de descida de águas brancas (corredeiras), sistemas de resgate e primeiros socorros. Quando se trata do rafting comercial, onde pessoas leigas estarão presentes, o percurso deve ser totalmente conhecido pelos Instrutores, e planos de resgate e evacuação do rio em caso de acidentes devem ser previamente elaborados.

As competições de Rafting acontecem em pequeno número no Brasil. Anualmente acontece o Campeonato Brasileiro de Rafting, que abrange as modalidades de descida (descida contra o tempo, em percursos longos, de cerca de 10 Km), slalom (prova de perícia onde as equipes tem que contornar obstáculos suspensos no rio) e sprint paralelo (provas de disputa lado a lado, com 2 equipes largando juntas).

Histórico do Rafting no Brasil

No Brasil, a história do Rafting é mais recente. Os primeiros botes para corredeira chegaram em 1982 com a criação da primeira operadora de Rafting brasileira, a TY-Y Expedições, cujas descidas se restringiam ao rio Paraíba do Sul e rio Paraibuna, ambos em Três Rios / RJ, que atuava na modalidade remo central. Neste período passou praticamente despercebido pelos brasileiros, pois toda a programação foi desenvolvida para atender exclusivamente aos turistas estrangeiros em férias no Rio de Janeiro.

O esporte ganhou força a partir de 1990 com a criação da Canoar Rafting & Expedições e com ela uma inovação no Rafting brasileiro: a modalidade com remos individuais. A novidade foi introduzida no rio Juquiá, em Juquitiba / SP. Em 1996, consolidou sua expansão no mercado brasileiro com o surgimento de diversas empresas, localizadas em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Atualmente, estima-se em 50 o número de operadoras de Rafting no Brasil, explorando descidas comerciais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Mato Grosso do Sul e Tocantins.

Histórico do Rafting no mundo

O primeiro registro de descida de Rafting no mundo data de 1869. Nesta época, John Wesley Powel – um dos expedicionários mais conceituados da história americana - organizou uma expedição no rio Colorado / EUA, em barcos de madeira com remo central.

A aventura resultou em algumas viradas e batidas em pedras, decorrentes de equipamentos primitivos e da falta de técnica para manobrar nas corredeiras os barcos pesados. Já o Rafting com finalidade comercial foi realizado somente em 1909 pela Julio’s Stone’s Grand Canyon, mas os botes ainda eram rígidos, de madeira.

Os primeiros botes infláveis apareceram nos EUA, em 1936.

Durante os anos 60 e 70 o esporte passou por um período de estagnação, retomando o impulso a partir de 1980 com o surgimento do bote “ self bailer ”, confeccionado com materiais mais leves e resistentes.

Hoje o Rafting Comercial conquistou definitivamente seu espaço no cenário mundial. A emoção e o contato com a natureza proporcionados garantiram sua presença nos arredores dos grandes centros urbanos e turísticos de nosso planeta, sendo uma das principais formas de conhecer as regiões onde é oferecido. 
Última atualização em Dom, 01 de Agosto de 2010 15:14
 
 
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